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PENSAMENTOS GEOGRÁFICOS do PIBIDIANO DE GEOGRAFIA JÚNIOR CESAR 

 

"Pra você que faz cara feia quando eu digo que faço GEOGRAFIA ou solta um "Hum, que legal" extremamente irônico...

Só tenho a dizer que a amplicidade dessa ciência me torna a cada dia uma pessoa melhor e aumenta ainda mais o meu amor pelas diversas Geografias que rodeiam a todos. ...   Minha graduação me permite ousar a te falar um pouco sobre o universo ou da formação da Terra. Posso te explanar sobre a dicotomia do urbano X rural ou te fazer me odiar falando de política.   Posso ainda demonstrar como a dispersão dos biomas estão intimamente ligados à composição do solo, ao clima e dentre outros fatores.   Posso te ensinar a diferença de clima e tempo e te fazer perceber o quanto é engraçado quando você diz "Como está o clima hoje?" e te aborrecer falando de economia ou dos males do capitalismo.   Posso mostrar rochas, minerais e o dinamismo das formas e estruturas do relevo.   Posso ainda, descobrir contigo outras cidades, estados, países e continentes, e outros planetas também!   Conto histórias também, do PR, do Brasil e do mundo e quebro a cabeça com problemas matemáticos da nossa amiga Cartografia.   Questiono os problemas da educação geográfica e modifico meu modo de ensinar, para despertar a busca sagaz em aprender Geografia.   São tantas ciências que a Geografia engloba, que posso ter me esquecido de algo que está ao meu domínio. Mas é isso, não existe uma ciência melhor do que a outra, mas se existisse, a Geografia seria uma forte candidata!   A Geografia mexeu comigo e me fez amá-la incondicionalmente.   Enfim, a Geografia é uma mãe que te acolhe e te faz refletir, questionar e propor soluções para o mundo. Ela está em toda parte, até mesmo dentro de você."

 

 

 

 

 

 

 


UMA OUTRA EDUCAÇÃO É POSSÍVEL?

 

 

ATENÇÃO ALUNOS(AS) DO COLÉGIO GENERAL OSÓRIO E COLÉGIO MENELEU

 

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DE GEOGRAFIA!

 

 

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Quarentena: porque você deveria ignorar toda a pressão para ser produtivo agora

Uma pesquisadora com experiência em ambientes adversos dá conselhos aos acadêmicos ansiosos com a quebra de rotina causada pelo coronavírus

Por Aisha S. Ahmad, no Chronicle of Higher Education.
Tradução de Renato Pincelli.

 

QUE TENHO OBSERVADO entre meus colegas e amigos acadêmicos é uma resposta comum à contínua crise da COVID-19. Eles estão lutando bravamente para manter um senso de normalidade — correndo para os cursos online, mantendo rigorosos cronogramas de escrita e criando escolinhas Montessori nas mesas de cozinha. A expectativa deles é apertar os cintos por um breve período, até que as coisas voltem ao normal. Para qualquer um que segue esse caminho, desejo muita saúde e boa sorte.

Entretanto, como alguém que tem experiência com diversas crises ao redor do mundo, o que eu vejo por trás dessa busca pela produtividade é uma suposição perigosa. A resposta para a pergunta que todo mundo está se fazendo — “Quando isso vai acabar?” — é simples é óbvia, mas difícil de engolir. A resposta é nunca.

Catástrofes globais mudam o mundo e esta pandemia é muito semelhante a uma grande guerra. Mesmo que a crise do coronavírus seja contida dentro de alguns meses, o legado dessa pandemia vai viver conosco por anos, talvez décadas. Isso vai mudar o modo como nos movemos, como construímos, como aprendemos e nos conectamos. É simplesmente impossível voltar à vida como se nada disso tivesse acontecido. Assim, embora possa parecer bom por enquanto, é tolice mergulhar num frenesi de atividade ou ficar obcecado com sua produtividade acadêmica neste momento. Isso é negação e auto-ilusão. A resposta emocional e espiritualmente saudável seria se preparar para ser mudado para sempre.

O resto deste artigo é um conselho. Fui constantemente procurada por meus colegas ao redor do mundo para compartilhar minhas experiências de adaptação às condições de crise. Claro que sou apenas uma humana, lutando como todo mundo para se ajustar à pandemia. Entretanto, já trabalhei e vivi sob condições de guerra, conflitos violentos, pobreza e desastres em muitos lugares do mundo. Passei por racionamento de comida e surtos de doenças, bem como prolongados períodos de isolamento social, restrição de movimento e confinamento. Conduzi pesquisas premiadas sob condições físicas e psicológicas extremamente difíceis — e tenho orgulho de minha produtividade e desempenho na minha carreira de pesquisadora.

Deixo aqui os seguintes pensamentos durante esse momento difícil na esperança de que eles ajudem outros acadêmicos a se adaptar a essas condições duras. Pegue o que precisa e deixe o resto.

Primeiro Estágio: Segurança

SEUS PRIMEIROS dias ou suas primeiras semanas numa crise são cruciais e você deveria ter um amplo espaço para fazer um ajuste mental. É perfeitamente normal e aceitável sentir-se mal ou perdido durante essa transição inicial. Considere positivo que não esteja em negação e que está se permitindo trabalhar apesar da ansiedade. Nenhuma pessoa sã sente-se bem durante um desastre global, então agradeça pelo desconforto que sente. Neste estágio, eu diria para focar em alimentação, família, amigos e talvez exercícios físicos — mas você não vai virar um atleta olímpico em quinze dias, então baixe sua bola.

Em seguida, ignore todo mundo que está postando a pornografia da produtividade nas mídias sociais. Está bem se você continua acordado às 3 da manhã. Está bem esquecer de almoçar ou não conseguir fazer uma teleaula de ioga. Está bem se faz três semanas que você nem toca naquele artigo-que-só-falta-revisar-e-submeter.

Ignore tanto as pessoas que dizem estar escrevendo papers quanto as que reclamam de não conseguir escrever. Cada qual está em sua jornada. Corte esse ruído.

Saiba que você não está fracassando. Livre-se das ideias profundamente toscas que você tem a respeito do que deveria estar fazendo agora. Em vez disso, seu foco deve se voltar prioritariamente para sua segurança física e mental. Neste começo de crise, sua prioridade deveria ser a segurança da sua casa. Adquira itens essenciais para sua dispensa, limpe seu lar e faça um plano de coordenação com sua família. Tenha conversas razoáveis sobre preparos de emergência com seus entes queridos. Se você é próximo de alguém que trabalha nos serviços de emergência ou num ramo essencial, redirecione suas energias e faça do apoio a essa pessoa uma prioridade. Identifique e cubra as necessidades dessas pessoas.

Não importa como é o perfil da sua família: vocês vão ter que ser um time nas próximas semanas ou meses. Monte uma estratégia para manter conexões sociais com um pequeno grupo de familiares, amigos e/ou vizinhos, mas mantenha o distanciamento físico de acordo com as orientações de saúde pública. Identifique os vulneráveis e garanta que eles estejam incluídos e protegidos.

A melhor maneira de construir um time é ser um bom companheiro de equipe, então tome alguma iniciativa para não ficar sozinho. Se você não montar essa infra-estrutura psicológica, o desafio das medidas de distanciamento social necessárias pode ser esmagador. Crie uma rede sustentável de apoio social — agora.

Segundo Estágio: Modificação Mental

ASSIM QUE estiver seguro junto com seu time, você vai começar a se sentir mais estável e seu corpo e sua mente vão se adaptar, fazendo-o buscar desafios mais exigentes. Depois de um tempo seu cérebro pode e vai reiniciar sob condições de crise e você vai reaver sua capacidade de trabalhar em alto nível.

Essa modificação mental permitirá que você volte a ser um pesquisador de alta performance, mesmo sob condições extremas. No entanto, você não deve tentar forçar sua modificação mental, especialmente se você nunca passou por um desastre. Um dos posts mais relevantes que vi no Twitter (do escritor Troy Johnson) dizia: “Dia 1 da Quarentena — vou meditar e fazer treinamento físico. Dia 4 — ah, vamos misturar logo o sorvete com o macarrão”. Pode parecer engraçado, mas diz muito sobre o problema.

Mais do que nunca, precisamos abandonar o performativo e abraçar o autêntico. Modificar nossas essências mentais exige humildade e paciência. Mantenha o foco nessa mudança interna. Essas transformações humanas vão ser sinceras, cruas, feias, esperançosas, frustrantes, lindas e divinas — e serão mais lentas do que os acadêmicos atarefados estão acostumados. Seja lento. Permita-se ficar distraído. Deixe que isso mude o modo como você pensa e como você vê o mundo. Porque o nosso trabalho é o mundo. Que essa tragédia, enfim, nos faça derrubar todas as nossas suposições falhas e nos dê coragem para ter novas ideias.

Terceiro Estágio: Abrace o Novo Normal

Do outro lado dessa mudança, seu cérebro maravilhoso, criativo e resiliente estará te esperando. Quando suas fundações estiverem sólidas, faça uma agenda semanal priorizando a segurança do seu time doméstico e depois reserve blocos de tempo para as diferentes categorias do seu trabalho: ensino, administração e pesquisa. Faça primeiro as tarefas simples e vá abrindo caminho até os pesos-pesados. Acorde cedo. Aquela aula online de ioga ou crossfit vai ser mais fácil nesse estágio.

A essa altura, as coisas começam a parecer mais naturais. O trabalho também vai fazer mais sentido e você estará mais confortável para mudar ou desfazer o que estava fazendo. Vão surgir ideias novas, que nunca lhe passariam pela cabeça se você tivesse ficado em negação. Continue abraçando sua modificação mental, tenha fé no processo e dê apoio ao seu time.

Lembre-se que isso é uma maratona: se você disparar na largada, vai vomitar nos seus pés até o fim do mês. Esteja emocionalmente preparado para uma crise que vai durar 12 ou 18 meses, seguida de uma recuperação lenta. Se terminar antes, será uma surpresa agradável. Neste momento, trabalhe para estabelecer sua serenidade, sua produtividade e seu bem-estar sob condições prolongadas de desastre.

Nenhum de nós sabe quanto tempo essa crise vai durar. Gostaríamos de receber nossas tropas de volta ao lar antes do Natal. Essa incerteza nos enlouquece.

Porém, virá o dia em que a pandemia estará acabada. Vamos abraçar nossos vizinhos e amigos. Vamos retornar às nossas salas de aula e cantinhos do café. Nossas fronteiras voltarão a se abrir para o livre movimento. Nossas economias, um dia, estarão recuperadas das recessões por vir.

Só que, agora, estamos no começo desta jornada. Muita gente ainda não entendeu o fato de que o mundo já mudou. Alguns membros da faculdade sentem-se distraídos ou culpados por não conseguir escrever muito ou dar aulas online apropriadas. Outros usam todo seu tempo em casa para escrever e relatam um surto de produtividade. Tudo isso é ruído — negação e ilusão. Neste momento, essa negação só serve para atrasar o processo fundamental da aceitação, que permite que a gente possa se reinventar nessa nova realidade.

Do outro lado desta jornada de aceitação estão a esperança e a resiliência. Nós sabemos que podemos passar por isso, mesmo que dure anos. Nós seremos criativos e responsivos; vamos lutar em todas as brechas e recantos possíveis. Vamos aprender novas receitas e fazer amizades desconhecidas. Faremos projetos que nem podemos imaginar hoje e vamos inspirar estudantes que ainda estamos para conhecer. E vamos nos ajudar mutuamente. Não importa o que vier depois: juntos, estaremos preparados e fortalecidos.

Por fim, gostaria de agradecer aos colegas e amigos que vivem em lugares difíceis, que sentem na própria pele essa sensação de desastre. Nos últimos anos, rimos ao trocar lembranças sobre as dores da infância e exultamos sobre nossas tribulações. Agradecemos à resiliência que veio com nossas velhas feridas de guerra. Obrigado a vocês por serem os guerreiros da luz e por partilhar de sua sabedoria nascida do sofrimento — porque a calamidade é uma grande professora.

AISHA AHMAD é professora-assistente de Ciências Políticas na Universidade de Toronto, no Canadá, onde também dá cursos avançados sobre Segurança Internacional. Fruto de pesquisas feitas no Afeganistão, Paquistão, Somália, Mali e Líbano, seu livro “Jihad & Co: Black Markets and Islamist Power” (2017) explora as motivações econômicas por trás dos conflitos no mundo islâmico. Este artigo com conselhos sobre produtividade acadêmica em condições adversas foi publicado originalmente no “Chronicle of Higher Education” em 27/03/20. 

Fonte: https://medium.com/@rntpincelli/quarentena-porque-vc-deveria-ignorar-toda-a-pressao-para-ser-produtivo-agora-3f4f0b8378ae

 

 

 

 

Geografia pode ser a chave para lutar contra o surto de

COVID-19

A geografia está desempenhando um papel importante na luta contra o vírus SARS-CoV-2, o qual causa a enfermidade COVID-19

Por Marshall Shepherd*

Sou Cientista Atmosférico com três graduações em meteorologia. Assim, minha “casa” na Universidade da Georgia é o Departamento de Geografia.

Como muitos dos que podem estar lendo agora mesmo, eu também tinha um conhecimento estreito da Geografia quando saí da NASA para unir-me à Faculdade da Universidade.

Através dos anos, seguramente tenho escutado as pessoas descrevendo a geografia como um conjunto de mapas, capitais, rios e coisas assim. E o certo é que estas “coisas” definitivamente são parte da disciplina, mas existe muito mais complexidade e rigor que a simples memorização de feitos ou as memórias dos concursos de geografia básica.

A Geografia é única para unir as ciências sociais e as ciências naturais. Existem dois ramos principais da geografia: Humana e Física.

A Geografia Humana se interessa pelos aspectos espaciais da existência humana. Os geógrafos físicos estudam os padrões dos climas, os acidentes geográficos, a vegetação, os solos e a água. 

Os geógrafos utilizam muitas ferramentas e técnicas em seu trabalho, e as tecnologias geográficas são cada vez mais importantes para entender nosso complexo mundo. Entre estas, incluímos os Sistemas de Informação Geográfica (GIS), Sensores Remotos, Sistemas de Posicionamento Global (GPS) e o mapeamento online como o Google Earth.

Tenho notado que a disciplina de geografia está desempenhando papéis muito importantes na luta contra o vírus SARS-CoV-2, o qual causa a enfermidade COVID-19. Aqui estão alguns deles.

Rastreio do Coronavírus. Um exemplo da universidade Johns Hopkins:

Os Sistemas de Informação Geográfica (GIS) são a maneira de organizar os dados geográficos e espaciais. Você provavelmente não note, mas o Waze ou Google Maps estão dentro do “reino” da Ciência GIS.

É provável que você se beneficie diariamente de ambas aplicações. A universidad de Johns Hopkins está dando suporte permanente a um excelente site de rastreio do Coronavirus, o qual reúne a informação de múltiplas fontes de dados.

“A universidad Johns Hopkins inclui isenções de responsabilidade nas notas do site sobre todas as representações e garantias com respeito ao mesmo, incluindo exatidão e aptidão para seu uso e comerciabilidade”

Eles estão sendo cautelosos para que o site não se converta ou seja utilizado como um “guia médico”. Os pesquisadores e outras instituições, incluindo a Universidade de Washington e a Universidade da Georgia, também têm desenvolvido ferramentas de rastreio disponíveis publicamente.

A ESRI é uma das organizações líderes dentro do âmbito geográfico e um provedor de recursos GIS. Encontrei um tutorial de Coronavírus convincente elaborado por ‘Bytheway’ no site da ESRI, com lições e atividades instrutivas. Kenneth Field também oferece um excelente blog post no site da ESRI sobre a responsabilidade de mapear o coronavírus. Minha amiga e colega, a  Dra. Dawn Wright, é Cientista Chefe na ESRI. Recentemente enviou um tweet com um fantástico site com abundância de informação geográfica sobre o surto de coronavírus em Singapura.

Coronaviruses 101 World Health Organization (WHO) vis Esri Website

Muitos estudantes Secundários, incluindo minha filha no ano anterior, tiveram a matéria de Geografia Humana Avançada. Isso me encanta, porque isto significa expor os estudantes a aspectos da disciplina que pulverizam as percepções errôneas sobre “mapas e capitais”.

O site da Mesa Diretiva de Colleges Avançados estabelece este conceito nos estudantes de geografia humana: “Explorar como os humanos têm entendido, utilizado e mudado a superfície da Terra”. Os tópicos devem incluir os padrões de migração, população, ecologia política, justiça ambiental, urbanização e mais.

O site da Royal Geographic Society me direcionou a uma interessante pesquisa que compreende aspectos da disciplina de geografia humana e o Coronavírus. Um estudo de 2011 intitulado “As políticas a escala, do manejo de enfermidades infecciosas em uma era de viagens aéreas com liberdade” foi publicado em Transações do Instituto de geógrafos Britânicos (Transactions of the Institute of British Geographers). Ainda que esse estudo seja mais focado no Ebola, tem conexões no tempo com o problema do coronavírus.

Steve Hinchliffe é Professor de Geografia Humana na Universidade de Exeter e um expert em biosegurança, risco alimentar, relações humano-não humano e conservação da natureza. Ele e seus colegas publicaram um livro intitulado Vidas Patológicas: Enfermidade, Espaço e Biopolíticas (Pathological Lives: Disease, Space, and Biopolitics). Ele escreveu em um blog post de 2016, “Eu chamo um nó de micróbios, anfitriões, ambientes e economias de ‘vidas patológicas’”

“O termo (Vidas patológicas) nos permite investigar como estas vidas se tornaram perigosas até para elas mesmas em um mundo de rendimento acelerado e intensidade biológica”

Steve Hinchliffe, Professor de Geografia Humana na universidad de Exeter

Também existe um corpo significativo de disciplinas sobre pesquisa escolar na interseção das enfermidades geográficas e infecciosas. Por exemplo,  um estudo de 2019 no diário Infecções, Genética e Evolução examinou a estrutura geográfica do coronavírus relacionados com a SARS de morcegos.

Uma conclusão resultou que a SARSr-CoVs tem uma estrutura geográfica diferente em termos de evolução e transmissão.

É claro que a geografia física também desempenha um papel no Coronavírus. Em um artigo anterior da Forbes, discuti sobre o potencial das implicações climatológicas da enfermidade e se a transição da estação quente no Hemisfério Norte poderia deter o contágio do coronavírus.

A breve resposta dos Centros para a Prevenção e Controle de Enfermidades (CDC) foi “não sabemos,” especialmente desde que a enfermidade tem prosperado em lugares quentes e úmidos até o momento. A resposta mais longa foi uma discussão sobre a nascente literatura sugerindo que a influenza, coronavírus e outras enfermidades relacionadas poderiam prosperar em lugares novos e por períodos de tempo mais longos à medida em que o clima continua esquentando.

Existem numerosos exemplos que lhes poderia ter dado; mas minha meta principal foi utilizar o coronavírus como um motivo para ensinar-lhes sobre geografia. Agora, vão lavar as mãos intensamente com sabão e sejam cuidadosos lá fora.

*Dr. J. Marshall Shepherd, líder internacional expert em clima, foi Presidente da Sociedade Meteorológica Americana(AMS) em 2013, e é o Diretor do Programa de Ciências Atmosféricas da Universidade da Georgia (UGA). O Dr. Shepherd é Professor Distinto da Associação Atlética da Georgia e é o anfitrião do Podcast sobre os apaixonados do Clima no Weather Channel, que pode ser encontrado em qualquer distribuidor de Podcast. Antes da UGA, o Dr. Shepherd passou 12 anos como meteorólogo pesquisador no Centro NASA-Goddard Space Flight Center e foi Cientista Adjunto para a Missão de Medida da Precipitação Global (GPM). Em 2004, foi honrado com o prestigioso prêmio PECASE na Casa Branca. Também tem recebido grandes honras da Sociedade Meteorológica Americana, Associação Americana de Geógrafos e da Fundação Captain Planet. Shepherd é visto frequentemente como um expert em clima para a maioria da mídia, a Casa Branca e no Congreso americano. Tem mais de 80 publicações de nível expert na Academia e numerosas editorias. O Dr. Shepherd recebeu seu B.S., M.S. e PhD em Meteorologia Física pela Florida State University.

 

  

Quem nasce no Brasil é o quê mesmo?

24 de Fevereiro de 2020, por Carlos Walter Porto-Gonçalves

brasileiro é sinônimo de exploração

brasileiro é sinônimo de exploração

 

Uma curiosidade um tanto infantil talvez possa nos ser altamente reveladora. Afinal, o adjetivo pátrio, aquele que nos indica origem ou procedência de alguém, geralmente se expressa pelos sufixos ense ou ês ou, ainda ano. Assim, temos o francês, o português, o inglês entre tantos. Ou ainda, o italiano, o peruano, o venezuelano, o equatoriano e o norte-americano entre outros tais.

Há ainda outras variações, como o paraguaio e o guatemalteco, que nos parecem muito originais e para os quais não encontramos paralelo. O mesmo se passa com brasileiro. Embora os franceses nos chamem bresilien, os ingleses brazilian e os italianos brasiliano, nós, insistimos em nos chamar brasileiros usando esse sufixo eiro que não se aplica a nenhum outro adjetivo pátrio. E, aqui entre nós, também usamos o mesmo sufixo eiro para indicar a origem ou a procedência de quem nasceu nas Minas Gerais: o mineiro.

A palavra brasileiro designava, no período colonial, aquele que vivia de explorar e fazer comércio com o pau-brasil, madeira de cor de brasa de grande valor comercial à época. O sufixo eiro, nesse caso, tem, entre outras funções, a de assinalar uma ação ou uma função como em madeireiro, mineiro, pistoleiro, grileiro ou garimpeiro. Todavia, o adjetivo pátrio brasileiro indica a origem colonial dos que aqui chegavam e o que vinham fazer aqui. O Superdicionário da Língua Portuguesa, da editora Globo, (2000, Fernandes, F.; Luft, C.P. e Guimarães, F.M.) assinala que brasileiro, além de ser aquele ou aquela “natural ou habitante do Brasil” também é o “português que residiu no Brasil e que voltou rico à sua pátria”. È interessante observar que embora a língua portuguesa nos ofereça sinônimos para brasileiro, como brasiliense, brasilense e brasiliano essas
variantes são desprezadas.

O termo brasileiro para designar o natural do Brasil começa a ser consagrado na primeira Constituição Política do Império do Brasil, em 1824. Era natural que um novo marco jurídico para conformar as regras do jogo no território que recém se tornava independente tivesse que nomear e diferenciar os nascidos no novo território. No nosso continente, até mesmo o nome, América, se afirmou como contraposição às metrópoles pela necessidade de afirmação da elite criolla que se emancipava. Afinal, se queriam daqui e não mais de lá. Até então, a expressão Índias Ocidentais era amplamente usada como designação, sobretudo pelos espanhóis para as terras que, depois, seriam denominadas americanas.

Nos Estados Unidos, primeiro país a fazer uma revolução de libertação nacional no mundo, em 4 de julho de 1776, a expressão american foi brandida com força pelos revolucionários para se diferenciarem dos colonizadores ingleses. Enfim, o termo América só se consagra a partir dos ideólogos das elites criollas contra as antigas metrópoles. O mesmo ocorreu com o regime republicano que passou a vigorar em todos os países da América que faziam a sua independência como forma de auto-afirmação das antigas metrópoles onde imperavam as monarquias. Exceto o Brasil que permaneceu com regime monárquico e se proclamou Império e, com isso, se diferenciando de todas as demais novas nações que nasciam no continente e não o fez sem um ar de superioridade por fazer suas as antigas instituições das metrópoles européias. Enfim, a colonialidade havia deitado raízes profundas.

Talvez essa continuidade portuguesa nos ajude a entender o porquê da escolha pelas elites do
adjetivo pátrio brasileiro e não brasiliano ou brasiliense. Afinal, brasileiro é o “português que residiu no Brasil e que voltou rico à sua pátria”. Explorar o Brasil é o ser do brasileiro. Nos tempos da exploração da borracha na Amazônia dizia-se que o único crime que lá se cometia era não voltar de lá rico, conforme registra o ensaísta amazonense Samuel Benchimol. É ele quem nos conta que à entrada do rio Purus, o mais rico na exploração de borracha, havia uma ilha chamada Consciência, que era onde você devia deixar a consciência antes de subir o rio para não se lembrar do que você havia feito quando voltasse do alto rio. Não à toa, no interior do Nordeste, o paroara,
aquele que voltava rico da Amazônia, era visto como tendo uma riqueza amaldiçoada.

Assim tem sido o objetivo da ocupação do nosso território com grande influência na formação do caráter dos que aqui nascem. Não creio que estamos diante de um fato isolado, nem tampouco de fatos amazônicos.

Tudo indica que a atual onda expansionista em nome do desenvolvimento do Brasil, contra a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga, o Pampa, contra a Mata Atlântica e contra a Mata de Araucária, que nunca foram vazios demográficos, é ser contra os que tradicionalmente ocupam nosso território. Enfim, está sendo atualizado o brasileiro. E brasileiro tem sido exatamente isso: aquele que vive de explorar o Brasil. Não é natural ser brasileiro. É uma opção. De minha parte, nasci no Brasil, mas não sou brasileiro. Sou brasiliano. Felizmente, para não ser acusado de apátrida, os nossos dicionários me dão essa opção.

Fonte: IELA - Instituto de Estudos Latino Americano.

 

 

 

 

 

Temperatura na Antártica chega a 20,75ºC e bate novo recorde

Pesquisador brasileiro fez o registro que ainda precisa ser confirmado por Organização Meteorológica Mundial.

 

No último domingo (9), a Antártica registrou temperatura acima dos 20 graus pela primeira vez no registro histórico, trazendo atenção à questão da crise climática.

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, o cientista Carlos Schaefer, do projeto Terrantar, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirmou que estão acompanhando a tendência de aquecimento em muitos dos locais, "mas nunca vimos nada parecido com isso", declarou.

Na entrevista, Schaefer disse que a temperatura do arquipélago de James Ross, região onde foi feito o registro, tem estado irregular nos últimos 20 anos - que após o resfriamento na primeira década deste século, aqueceu rapidamente.

Segundo recorde

 No dia 6 de fevereiro, um pesquisador argentino na base Esperanza, localizada no extremo norte da Península Antártica, havia registrado 18,3ºC,

Base Esperança, na Península Antártica  — Foto: Arte/G1

Base Esperança, na Península Antártica — Foto: Arte/G1

 

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) ainda tem que confirmar o recorde de temperatura. No último registro, a OMM havia alertado que o aumento da temperatura pode acelerar o derretimento das camadas de gelo e da subida do nível do mar.

"(Esta) não é uma cifra que você associaria normalmente com a Antártida, nem no verão. Isso bate o recorde anterior de 17,5ºC, que foi estabelecido em 2015", disse no início de fevereiro a porta-voz da OMM, Clare Nullis.

 

 

Estudantes fazem checagem de fatos contra boatos sobre a Ciência

 

Estudantes do Ensino Médio utilizam do método científico e jornalístico para acabar com a circulação de informações falsas ou incorretas
Foto: Wilian Olivato

Por: Mariana Lima

Dúvidas levantadas por estudantes do Ensino Médio no Colégio Super Ensino, em Ourinhos, interior de São Paulo, estão sendo checadas pelos próprios estudantes.

Os questionamentos, que têm origem nas redes sociais e em correntes do WhatsApp, são ouvidas pelo professor de Biologia Estêvão Zilioli, que, com o objetivo de diminuir a circulação de informações falsas, criou há 2 anos o projeto HoaxBusters.

O projeto, construído junto com os alunos, utiliza da checagem de fatos e da investigação científica para classificar e separar as informações verídicas e as falsas.

Com o projeto em funcionamento, o professor teve que mudar de postura. Antes, apenas respondia se as informações trazidas pelos alunos eram verdadeiras ou não, e explicava o porquê de não fazerem sentido.

Depois de tantos questionamentos, um dia ele resolveu mudar a tática: agora os alunos deveriam investigar e trazer o resultado de suas pesquisas para a sala de aula, para então debaterem a informação.

Logo os alunos começaram a perceber por conta própria que as mensagens não faziam sentido, sendo apenas uma tentativa para enganar as pessoas. Com essa motivação, Estêvão começou a incentivar os alunos a irem atrás das fontes primárias de pesquisa.

Durante uma das aulas de Estêvão, um dos alunos informou que recebeu uma mensagem no WhatsApp que dizia que o chá de anis tinha o mesmo princípio ativo do Tamiflu, um medicamento usado no tratamento da gripe H1N1.

O professor já desconfiava que fosse mentira, mas colocou os estudantes para descobrirem. Uma dupla descobriu a resposta: o princípio ativo do remédio pode ser adquirido a partir de uma substancia obtida no anis, no entanto, requer que ela passe por diversas reações em laboratório.

No final, a informação recebida por mensagem era uma simplificação exagerada de um fato que leva a conclusões precipitadas.

Em entrevista ao portal Nova Escola, Estêvão ressaltou a importância da aproximação entre os métodos utilizados por pesquisadores e repórteres. “Jornalismo bem feito e ciência bem feita são coisas muito parecidas”.

Estêvão buscou formas de se preparar para orientar os alunos no projeto através de workshops, como o da Agência Lupa. O projeto funciona no contraturno escolar, como uma atividade extracurricular através de oficinas optativas para os alunos do Ensino Médio.

O projeto cresceu ainda mais em 2018, quando o professor foi selecionado para o programa Google Innovator, do Google for Education. Desde então, o professor promove encontros semanais com um grupo de 15 alunos do Ensino Médio que participa de forma voluntária das checagens.

Fonte: Nova Escola

 

José Pacheco: aula não ensina, prova não avalia

Em entrevista, fundador da Escola da Ponte fala sobre inovações educacionais, formação de professores e produção de conhecimento

Criada em 1976, a Escola da Ponte inspirou muitos educadores com seu modelo inovador de ensino e gestão, marcado pela ausência de salas de aula, séries, disciplinas e aulas propriamente ditas. Tudo acontece em pequenos grupos para permitir que os alunos manifestem suas curiosidades e aprendam a partir delas. As crianças e jovens participam ativamente da gestão da escola e, não raro, são eles que recepcionam os milhares de visitantes que desembarcam em Portugal até hoje para conhecer a instituição idealizada por José Pacheco.

Nascido em 1951, o educador se tornou uma das vozes mais críticas ao modelo tradicional de ensino e segue propondo alternativas a ele com a participação em diversos projetos educacionais, muitos deles no Brasil. Ao longo de sua trajetória, Pacheco também formou professores, um dos temas da entrevista que segue. Confira.

Como o senhor avalia os cursos de formação de professores?

Fui formador de professor na universidade, portanto, qualquer crítica que eu possa fazer recai imediatamente sobre a minha pessoa. Além de formador, também fui avaliador de cursos de formação, consultor de formação, integrei o Conselho Nacional de Educação de Portugal. Também fiz uma dissertação de mestrado sobre formação. Tudo isso para concluir que formar é impossível, mas transformar é necessário e aprender é inevitável. No Brasil, e em outros países do mundo, a situação é caricata.

Na universidade, escutamos que o centro do trabalho pedagógico deve ser o aluno. Cada vez mais se fala do protagonismo juvenil, da autonomia do aluno. Porém, o mesmo professor que fala isso dá aulas. Ou seja, quem está no centro é ele. Das duas uma: ou temos um tipo muito estranho de esquizofrenia ou estamos perante uma situação antiética.

Aula é um dispositivo pedagógico do século 19 que não faz mais sentido hoje. A formação que temos pertence ao paradigma da instrução, quando deveríamos nos guiar pelo paradigma da aprendizagem e até pelo paradigma da comunicação. Em vez de aulas, deveríamos ter oficinas, círculo de estudos, projeto de formação, tertúlia… por que não?

O modo como o professor aprende é o modo como ele ensina.

Vejo na internet que há cursos para desenvolver habilidades socioemocionais, cursos com metodologias ativas. Mas metodologias ativas em sala de aula? Vamos ser sérios e honestos! O professor pode falar de habilidades socioemocionais, competências do século 21, mas o que fica é a vivência.


 A aula não serve para nada, a não ser para manter o emprego do professor na universidade.

E isso vale para os adultos também?

Sim, nós não aprendemos o que o outro diz, nós aprendemos o outro. Professor não transmite aquilo que diz, mas aquilo que é. Outro ponto é que, tradicionalmente, a formação visa capacitar alguém ou algo. Ou seja, considera que o destinatário da formação é um objeto de formação. Mentira! Não é objeto. O professor em formação deve se assumir como sujeito de aprendizagem em autoformação, pois toda a aprendizagem do século 21 é autoformação, com reelaboração de sua cultura pessoal e profissional.

Outra crítica que faço recai sobre a predominância da teoria. O candidato a professor escuta alguém falando de algo, dos Piagets da vida, mas é inútil encher a cabeça das pessoas antes da prática. O que importa é partir dos problemas de ensino para, através da pesquisa, procurar a teoria que os resolva. Está tudo invertido.

Quando ingressei em uma instituição de formação inicial, dentre as várias em que trabalhei, me entregaram uma lista com o nome de alunos e disseram que eu deveria instruí-los a assinar o papel na entrada e na saída.

Mas como se pode formar professores autônomos e responsáveis dessa forma? Depois disseram que eu teria três turmas. Quando disse que não trabalharia com turmas, perguntaram como eu daria aulas. Respondi que também não daria aulas. Era só o que faltava! Já não dava aulas há mais de 20 anos. Para que serve uma aula? Para nada. Isso aconteceu na maior instituição de formação de Portugal.

Quando foi isso?

Há 30 anos. E hoje esses jovens estão entre os 40 e os 50 anos de idade. Um deles, aliás, é meu filho. São eles que, neste momento em Portugal, conseguiram que o país ultrapassasse a Finlândia no Pisa. Por quê? Porque não dei aula e construí com eles e não para eles um projeto de vida profissional. Por meio de roteiros de estudo, eles fizeram pesquisas em um tempo em que não havia computador muito menos internet. Eles aprenderam a pesquisar e a avaliar, pois eu também não dava provas.  Trabalhava com portfólios de avaliação, com evidências da aprendizagem. Eles trabalhavam em equipe e seguiram assim nas escolas, nunca atuando isoladamente.

Essa ideia de que aula não ensina e prova não avalia implica uma refundação da escola. O senhor vislumbra esse caminho?

O que defendo no lugar de tudo isso é uma nova construção social da aprendizagem, e não a adoção de paliativos, como aula invertida ou essas coisas que inventam por aí. Ioga e meditação são importantes, mas não é por aí que vamos mudar as coisas. O modelo educacional que nós temos foi criado no século 19, na Inglaterra da Revolução Industrial. Nós estamos na 4ª Revolução Industrial. A disciplina foi criada na Prússia militar. O padrão de tempo, o descanso no intervalo, tudo isso fazia sentido no século 19, mas hoje não mais. Será que as pessoas andam cegas?

O senhor critica as metodologias ativas. Mas elas não proporcionam vivências?

Não. Tenho uma grande consideração pelas pessoas que estão trabalhando com essas metodologias, mas isso não é mais do que um paliativo. A aula continua.

A aula invertida não é inovação, pois Célestin Freinet, na década de 1920, fez isso quando criou os ficheiros autocorretivos.

Quando os alunos não conseguiam entender por meio dos ficheiros, eles vinham ter com o professor. A diferença é que o Freinet não tinha computador. Os princípios gerais da aprendizagem segundo Bruner e Vygotsky, para ficar só com estes, são fundamentalmente estes: a aprendizagem precisa ser significativa, integradora, diversificada, ativa e socializadora. Isso em uma sala de aula é impossível, portanto, vamos levar isto a sério? Em vez de escreverem teses de doutorado que não servem para nada, por que as pessoas não vão fazer aquilo que é preciso?

Aula não serve para nada, a não ser para manter o emprego do professor na universidade.  

Na educação básica, nós temos algumas escolas que vão nessa linha apontada pelo senhor como a própria Escola de Ponte e outras. Mas e no ensino superior?

Não tem nenhuma. Eu estive recentemente em uma universidade brasileira em um encontro sobre inovação. Uma senhora disse que o modelo daquela instituição era inovador, mas tudo acontecia em sala de aula. Eu questionei esse ponto e foi um escândalo. Nunca mais me convidaram. O Brasil tem excelentes universidades, excelentes professores universitários, tenho grandes amigos no ensino superior. Mas, não sei por quê, todos continuam dando aula.

Hoje eu nem falo do paradigma da aprendizagem, pois o centro é a relação. Nós aprendemos na intersubjetividade, mas a universidade nem sequer chegou ao paradigma da aprendizagem. Nem isso. Quem fez isso foi a Escola da Ponte, há mais de 40 anos. O projeto Âncora também.

Então se a universidade não consegue fazer aquilo que a Ponte fez há 40 anos, como que há inovação? A inovação tem vários critérios, aliás. Primeiro: tem que ser inédito, e eu não vejo nada de inédito por aí. Depois tem de ser replicável e estar permanentemente em fase instituinte; nunca pode parar de se atualizar. Também é importante que tenha sustentabilidade e fundamentação científica contemporânea – Morin, Castells, Papert, Maturama, Augustinho da Silva, Paulo Freire. Depois, finalmente, tem de ter utilidade. Se esses paliativos não logram educação a todos, eles são inúteis. 

A má qualidade da educação básica é atribuída à formação dos professores e também ao perfil dos alunos que optam pela carreira docente. Há levantamentos que mostram que são os alunos mais fracos no Enem que escolhem a profissão. Qual é a relevância desse aspecto em sua opinião?

Esse aspecto é um problema sim, e não apenas no Brasil. Em Portugal quando um jovem completa o ensino médio e pretende entrar na universidade ele faz uma seleção de dez cursos, começando pelos que mais deseja cursar. O curso de Pedagogia sempre aparece em 9º e 10º lugares. Ou seja, o jovem quer ser médico, psicólogo ou arquiteto, mas coloca Pedagogia por último porque sabe que vai entrar mesmo com uma pontuação ruim.

Hoje a maioria dos cursos acontece a distância, sem qualquer contato com o aluno. Já os presenciais acontecem à noite e quem participa são pessoas das classes C, D e F. Pessoas maravilhosas, mas que não sabem interpretar um texto, que estão à espera de inovação em seu estatuto social, o que é legítimo. Mas eles chegam com uma preparação insuficiente do ensino médio e têm uma formação deficiente depois.

O senhor já declarou que a pesquisa brasileira parece literatura de cordel, um citando o outro. Por que essa avaliação?

A pesquisa na área de educação é meio literatura de cordel, sim. “Piaget disse, Vygostky disse…” Não sou fofoqueiro, não quero saber o que Piaget disse. Eu quero produção de conhecimento, e isso não existe. É um discurso redundante, eu te cito, tu me citas… E pensar que as ciências da educação são o eixo, o centro de toda a atividade de aprendizagem.

O problema é que todo mundo que escreve sobre ciência da educação está a leste de tudo o que seja ciência da educação ou então estudou ciência da educação em aula. É preciso saber filosofia da educação, história da educação, sociologia da educação, as várias psicologias da educação, antropologia da educação… Quem escreve sobre educação, e não só no Brasil, raramente escreve algo que seja produção. Eles apenas fazem citações. Sei que falar essas coisas ofende. Não por acaso, me tornei persona non grata para muita gente, mas fazer o quê…

  

 

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