PENSAMENTOS GEOGRÁFICOS do PIBIDIANO DE GEOGRAFIA JÚNIOR CESAR
"Pra você que faz cara feia quando eu digo que faço GEOGRAFIA ou solta um "Hum, que legal" extremamente irônico...
Só tenho a dizer que a amplicidade dessa ciência me torna a cada dia uma pessoa melhor e aumenta ainda mais o meu amor pelas diversas Geografias que rodeiam a todos. ... Minha graduação me permite ousar a te falar um pouco sobre o universo ou da formação da Terra. Posso te explanar sobre a dicotomia do urbano X rural ou te fazer me odiar falando de política. Posso ainda demonstrar como a dispersão dos biomas estão intimamente ligados à composição do solo, ao clima e dentre outros fatores. Posso te ensinar a diferença de clima e tempo e te fazer perceber o quanto é engraçado quando você diz "Como está o clima hoje?" e te aborrecer falando de economia ou dos males do capitalismo. Posso mostrar rochas, minerais e o dinamismo das formas e estruturas do relevo. Posso ainda, descobrir contigo outras cidades, estados, países e continentes, e outros planetas também! Conto histórias também, do PR, do Brasil e do mundo e quebro a cabeça com problemas matemáticos da nossa amiga Cartografia. Questiono os problemas da educação geográfica e modifico meu modo de ensinar, para despertar a busca sagaz em aprender Geografia. São tantas ciências que a Geografia engloba, que posso ter me esquecido de algo que está ao meu domínio. Mas é isso, não existe uma ciência melhor do que a outra, mas se existisse, a Geografia seria uma forte candidata! A Geografia mexeu comigo e me fez amá-la incondicionalmente. Enfim, a Geografia é uma mãe que te acolhe e te faz refletir, questionar e propor soluções para o mundo. Ela está em toda parte, até mesmo dentro de você."
Neste domingo, 28 de abril, foi comemorado o Dia da Educação. A data é marcada em referência ao Fórum Mundial de Educação de Dakar, no Senegal, realizado no ano 2000.
O assunto fomenta grandes discussões, mobilizando diversas entidades em todo mundo para debater com estudantes, educadores e profissionais de educação sobre os novos paradigmas e dinâmicas educacionais, dentro e fora das salas de aula.
Falando do Brasil, muitos assuntos precisam ser criteriosamente analisados. Basta olhar para as mudanças recentes em toda a estrutura do Ministério da Educação, polêmicas com o Exame Nacional do Ensino Médio, entre outras situações.
Ainda falando de Brasil, é mais que necessário falar sobre a Base Nacional Comum Curricular e seus impactos para a educação brasileira.
Marcos Pollo, educador e diretor da Viamaker Education, diz como aplicar as atualizações exigidas pela Base, na prática para as competências e habilidades socioemocionais, bem como o ensino da cultura digital.
“A BNCC é um bom exemplo de preocupação voltada para ensino de competências e habilidades. É um documento estruturado que deve ser desenvolvido na educação básica. Dessa forma é possível descrever quais competências e habilidades que os alunos devem atingir em cada ano escolar”, aponta o especialista.
Segundo Marcos Pollo, o desafio na área da educação brasileira está justamente aí: em como ensinar usando competências e habilidades.
“Discute-se cada vez mais processos e aprendizagem para que o ensino seja menos conteudista e mais focado no desenvolvimento e preparo para os desafios do mundo atual. Aulas onde seja possível conectar conteúdos com ciências e tecnologias são aulas mais criativas e dinâmicas, onde os alunos conseguem se envolver mais e desenvolver as habilidades e competências para sua formação, como trabalho em equipe, gestão do tempo, por exemplo”, explica.
Outro assunto latente na discussão do governo sobre educação está na questão do homeschooling, ou seja, da possibilidade em que a criança tenha aulas e a relação de ensino-aprendizagem em casa.
Marcos Pollo, com sua experiência na área, diz que o Brasil não está preparado para esta realidade e garante que o ato social de estar inserido em uma escola convencional é fundamental para o desenvolvimento do ser humano.
“A experiência escolar, na minha opinião, é o caminho mais seguro para uma educação de qualidade. Nosso país não está preparado para fiscalizar a efetividade de trabalho de ensino em casa. Alguns países têm essa possibilidade, mas ainda temos um caminho longo para conquistar um patamar onde seja possível realizar um trabalho desse em casa. Ainda confio muito no trabalho da escola e dos nossos professores”, conclui.
O que ninguém te conta sobre a Educação na Finlândia
Jarkko Wickstrom, diretor de Operações da Finland University na América Latina, retoma a trajetória educacional do país e analisa os caminhos e políticas brasileiras para a área
Todos os nossos recursos naturais se resumem à madeira, água e muito frio. Essa é a nossa receita para [fazer] a melhor Educação no mundo”, brinca o finlandês Jarkko Wickstrom, diretor de Operações da Finland University na América Latina. “A brincadeira com os recursos naturais é só para ilustrar que não foi fácil também chegar onde chegamos. É preciso ter criatividade”, afirma.
Reconhecida como modelo bem-sucedido de Educação pública – por quatro anos consecutivos, o país ficou entre os primeiros lugares no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) –há um lado da Finlândia que é normalmente deixado de fora da conversa. Mas ele nos mostra que mesmo em cenários socioeconômicos conturbados, investimentos conscientes e políticas com continuidade podem fazer a diferença.
Na Finlândia...
88% das pessoas entre 25 e 64 anos concluíram o Ensino Médio. A média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que aplica o Pisa, é de 74%;
Desde 2000, a Finlândia está entre as primeiras posições do Pisa;
Há cerca de 500 mil alunos e 50 mil professores na Educação Básica
Jarkko Wickstrom durante sua palestra no Scandinavian Day em São Paulo Foto: Divulgação
O que pouca gente fala sobre a Finlândia
Jarkko Wickstrom adianta que, de forma geral, as conversas sobre a Educação na Finlândia sempre têm por base escala, recursos e dificuldades. “Garanto que a Finlândia tem todos os motivos para não criar um sistema educacional que funcione”, ele diz. A independência do país é relativamente recente, só sendo reconhecida em 1918. Até então, a Finlândia integrava o Império Russo e, antes disso, era parte da Suécia – o que explica o sueco ser a língua oficial ao lado do finlandês.
Ao contrário do que ocorreu no Brasil, a declaração de independência não veio de graça: por quase quatro meses, o país viveu uma sangrenta guerra civil, que além de dividir a população, resultou em aproximadamente 37 mil mortes e abalou sua economia. Entre 1939 e 1940, os finlandeses voltaram à guerra, desta vez contra a União Soviética na chamada Guerra de Inverno. É importante ressaltar que até a década de 1950, a Finlândia possuía uma economia essencialmente agrária. “Estávamos passando fome de novo, com taxas de desemprego altíssimo, bem como altos índices de suicídio”, relembra o diretor de Operações da Finland University na América Latina. “Há 70 anos, éramos um dos países mais pobres da Europa. Foi através da Educação que as mudanças ocorreram na Finlândia”.
Soldados finlandeses durante a Guerra de Inverno, em 1940. As temperaturas durante o confronto chegavam a -40º. Crédito: Divulgação Governo da Finlândia/Wikimedia Commons
Engana-se quem pensa que ao apostar na Educação, a Finlândia investiu em salas de aula com a melhor tecnologia do momento. “A gente usava o material que tinha”, diz Jarkko. Muitas das escolas, aliás, eram feitas de madeira e ficavam a 15 km de uma região habitada. A chave do sistema educacional não estava no espaço ou no material. “Há uma onda de inovação educacional em que o pessoal presta muita atenção na sala de aula”, aponta Jarkko. “As escolas investem muito nisso, chamam de espaços inovadores. Mas e a mudança de paradigma para o conteúdo e a aprendizagem? Quem lidera mesmo esse processo é o professor. E nós sempre nos concentramos nisso”.
Apesar de ser um país pequeno – sua população é de 5,3 milhões de pessoas (a cidade do Rio de Janeiro tem aproximadamente 6,3 milhões) – a FinlIandia possui uma das menores densidades populacionais da Europa. “No Brasil, a densidade é de 17 habitantes por quilômetro quadrado. Na Finlândia, são 15. O fato da população ser bastante dividida entre o território não facilita a organização”, diz o educador. Dada a situação econômica e climática do país, muitas famílias não conseguiam manter todas as crianças na escola. “Às vezes, era preciso escolher uma pessoa da família para ser escolarizada porque só havia um único par de sapatos. É difícil andar 15 km descalço na neve”.
Ousadia
Hoje, a Finlândia possui consciência dos fatores necessários para garantir os padrões de qualidade educacional. O processo de aprendizado incluiu alguns acertos inconscientes. “Foi mais barato para o governo legendar os programas na TV pública do que dublar”, exemplifica Jarkko. “A escolher a legendagem, esse recurso ajudou a melhorar a leitura dos alunos e a aprendizagem da Língua Inglesa”.
Outras medidas foram muito conscientes da necessidade do país, como é o caso da seleção de professores – que é muito diferente da realidade brasileira. “No Brasil, em geral, são as pessoas com piores notas que vão para os cursos de Pedagogia. Na Finlândia, são os melhores candidatos que se tornam professores”, aponta. Além disso, há seleção de professores e a qualificação mínima para estar em sala de aula da Educação Básica é o mestrado.
A crise financeira que atravessou o país nos anos 1990 implicou um corte de gastos na Educação. “Geralmente, não combina muito cortar verba e melhorar a qualidade”, comenta Jarkko. A Finlândia tomou uma decisão ousada e cortou os cargos de coordenadores pedagógicos. Mas para "compensar" o corte, o governo investiu em mais treinamento para os professores. “Assim, eles poderiam garantir a qualidade e a continuação da liderança desse processo”.
Convidado especial do Scandinavian Day, evento organizado pela consultoria Imagem Corporativa, Jarkko Wickstrom analisa os desafios educacionais e as políticas públicas brasileiras que podem apoiar transformações no cenário nacional.
A trajetória da Finlândia passa por guerras, disputas de território e crises econômicas. Qual foi a chave para reverter o cenário educacional? Foram mudanças estruturais focadas na Educação que garantiram o salto do país? JARKKO WICKSTROM O que aparece sempre na mídia é uma história de salto. Isso é parcialmente mentira. Não houve salto de uma década para outra. A história começa em 1286, com a primeira escola catedral na Finlândia católica. A chave foi, ao longo do tempo, tomar decisões para investir não só dinheiro, mas toda nossa atenção, enquanto sociedade, na Educação com continuidade. Independentemente da conversa política, durante décadas sempre investimos na Educação. Os recursos melhoraram muito depois da Segunda Guerra Mundial, o que resultou também em mais e melhores recursos na Educação.
O salto apareceu nas avaliações e foi aí que começaram a procurar as razões por trás disso. São razões ridículas. Foi mais barato para o governo legendar programas na TV pública da Finlândia do que dublar. Ao escolher a legendagem, isso melhorou a leitura dos alunos e aprendizagem de Língua Inglesa. Então, não podemos falar que foi uma decisão consciente que resultou em algum salto. Pelo contrário, nossa mensagem é que não houve salto. Na Educação só existe processo – que você pode acertar e tentar construir uma continuidade ou não. A nossa escolha foi construir esse processo e as avaliações internacionais mostram que alguma parte disso deu certo.
Há uma grande diferença na formação e seleção de professores no Brasil e na Finlândia. Vejo que uma das dificuldades em selecionar os melhores candidatos para a docência no Brasil está atrelada à questão salarial. Hoje, a carreira do professor brasileiro não é atraente em termos financeiros ou de valorização social. Quais outros entraves você identifica para o Brasil selecionar os melhores candidatos para a sala de aula? Esse é o ponto mais difícil de adaptar em uma outra cultura. A construção de importância da profissão de professores na sociedade foi feita ao longo do tempo. A independência da Finlândia tem 100 anos, mas o sistema educacional é mais antigo do que isso. A construção do papel social do professor envolve muitos fatores, não apenas o salário. Tem que ser um salário atrativo, mas na Finlândia, os professores ganham um salário “médio”. Não dá para viver uma vida de luxo, mas o básico é bem confortável. A questão é que para dar confiança aos professores, você precisa treiná-los bem. Se você os treinou bem, eles merecem um salário melhor e, com isso, a profissão torna-se mais atrativa. Ao mesmo tempo, o governo precisa regulamentar a formação de professores para não ter uma diferença tão grande entre formações.
Diferença de formação entre quem está entrando na carreira e quem já está em sala de aula? Entre quem se forma na universidade X e Y. Nestes anos todos vivendo no Brasil, eu conheci centros de excelência na formação de professores, na pesquisa acadêmica, na sala de aula invertida, nos métodos inovadores… há ilhas de excelência em tudo no Brasil. Para você melhorar o papel e posição do professor na sociedade, você tem que fazer o mesmo que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) faz: algum teste que certifique que essas pessoas que se formaram são capazes de trabalhar em uma posição importante. Com o tempo, isso traz um privilégio.
A prova, sozinha, não resolve tudo. Em geral, não acreditamos que tem pessoas melhores e piores para serem treinadas. O que acontece é que na Finlândia, o processo seletivo procura os melhores candidatos para serem professores. A gente não quer que o melhor advogado seja professor. A responsabilidade depois do perfil, é na formação. A formação inicial, com mais prática e com mentoria. Aqui, a parte prática, os estágios de professores são muito aleatórios. O nosso modelo é acompanhar de perto e caminhar junto com a formação acadêmica e de identidade do professor.
O mesmo vale para a formação continuada: é para dar mais motivação e também mais responsabilidade ao corpo docente. Nas cooperações com o Brasil, percebemos que aqui isso envolve muito o treinamento de lideranças escolares. Os gestores escolares precisam estar ainda mais motivados para as coisas mudarem. É uma questão de mudança de paradigma. A resposta é a formação continuada em prática, não aquela formação continuada de “Ah, a escola inteira vai assistir três dias de palestra sobre métodos ativos”. Professor é uma profissão. Por isso, a formação precisa ser profissionalizante e tem que ser prática. No nosso caso, isso deu resultado e é algo que poderia ser testado também no Brasil.
Na Finlândia, a Educação está muito atrelada também à pesquisa na área. Como você avalia a pesquisa em Educação no Brasil? Tem bastante produção acadêmica, muito mais do que na Finlândia, se a gente falar em números. O que falta é o uso da pesquisa como ferramenta de ensino e aí, eu já respondo que não tem suficiente. O "professor padrão" fez graduação ou licenciatura e ainda não tem o pacote de ferramentas de um pesquisador. Por isso, ele não consegue usar a pesquisa como ferramenta na sala de aula, com seus alunos, com a sua turma. A chave na Finlândia foi a legislação de 1969, que levantou muito os requisitos mínimos de acesso à carreira e estabeleceu que professor precisa fazer mestrado. Assim, ele sabe pesquisar o próprio trabalho e se questionar: como as metodologias que estou testando estão dando resultado ali? Um pensamento analítico de pesquisador e como elemento de trabalho. Isso falta no Brasil. Os professores gostam muito desse modelo e enxergam o proveito dessa ferramenta no trabalho, no dia a dia deles. Não precisa nem mais uma publicação sobre a prática. É preciso usar isso no dia a dia em escala. Geralmente, no Brasil, é mais o coordenador pedagógico ou o Ministério da Educação que fala como tem que ser feito. E o professor vira o quê? O cara que executa. No melhor caso, uma pessoa com boas intenções, boa formação, com motivação. Na maioria dos casos, uma pessoa mais passiva do que seria bom para aquele processo de aprendizagem.
A escola na Finlândia se preocupa bastante com o desenvolvendo de habilidades que possam colaborar para o desenvolvimento da nação para o futuro. Que habilidades você identifica como essenciais que integram o currículo ou que ajudam nessa construção? O mundo de valores nos países nórdicos é passado nas entrelinhas. Almejar melhor qualidade do ar, encontrar óleo e pensar que isso não nos pertence, mas pertence a duas gerações para frente… são coisas que não estão currículo, mas são passadas em suas entrelinhas. Claro, nossa primeira Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi feita na década de 1970 e, de tempos em tempos, é feita uma reforma. Agora estamos na sétima reforma. Conforme o mundo muda, a base curricular precisa mudar. E também vale dizer que a Base Curricular não é usada em lugar nenhum. Ela é apenas a base de planejamento municipal, que é usado como base para as escolas. Cada escola adapta o currículo, todo ano. A última reforma foi colocada em prática em 2016 e nela foi definida que a Base teria objetivos e algumas habilidades, não conteúdo. Entre as habilidades estão: aprendendo a aprender, que significa procurar, virar um ser ativo, ao invés de passivo, com responsabilidade; multiletramentos, que inclui a leitura de todas as mídias, atuais e futuras; formação de cidadãos e convívio com a tecnologia. Essas são as habilidades mais importantes. Aqui, muitas universidades estão tentando criar um ambiente inovador, tornar os estudantes abertos e responsáveis pelo próprio futuro. Para a gente isso é objetivo na Educação Básica.
Considerando os desafios brasileiros da Educação Básica, qual você considera ser o nosso maior acerto em termos de políticas públicas nesse momento e no quê deveríamos investir? Com certeza, BNCC. Mesmo com todos os problemas e acertos, começar esse processo de ter uma Base e uma conversa de como usá-la como ferramenta é muito importante. E, com isso, o movimento de tirar da legislação as disciplinas obrigatórias [Base do Ensino Médio] e trazer na Base essa conversa multidisciplinar. Apesar de ser um acerto, é preciso entender que é um processo lento. Para isso, será preciso continuidade. Isso é algo que não vejo muito no Brasil. Para isso, precisamos deixar a Educação fora da discussão política.
Ato de “colar” é cultural e mostra falência do sistema educacional
Países que apresentam altos índices de alunos “colantes” são, em sua maioria, os mesmos que apresentam problemas de corrupção
Essenciais para medir a aprendizagem, provas são parte do cotidiano escolar, mas fraudes e colas estão presentes na sala de aula juntamente com as avaliações: pesquisa realizada nos EUA mostra que 51% dos estudantes de ensino médio colam nas provas.
prática é mais recorrente entre os alunos de escolas de elite, que teoricamente estariam mais bem preparados. Porém, segundo o estudo, a preparação dos alunos não é o problema.
“A cola, infelizmente, é um aspecto cultural, uma transgressão como outras que o adolescente tende a cometer”, diz Julio Inafuco, mestre em Educação Científica e diretor do Colégio Positivo. “É uma questão de formação, que as escolas devem trabalhar fortemente”, segue.
Aspecto cultural
De acordo com especialistas, a raiz cultural do ato de colar em provas é social. Trabalho desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão indica se tratar de uma prática ligada tanto a problemas de aprendizagem quanto a aspectos culturais da escola e também da sociedade.
“O ato de ‘colar’ pode ser encarado como um ‘aspecto cultural’ da escola, pois essa prática já se tornou comum e rotineira entre os alunos”, dizem os pesquisadores. “Países que apresentaram altos índices de alunos ‘colantes’ são, em sua maioria, os mesmos que apresentam problemas de corrupção”, completa.
Segundo a pesquisa, a dimensão cultural está acompanhada de falhas no processo de ensino e aprendizagem: dificuldades de aprendizagem e a busca por bom desempenho são alguns dos motivos principais para recorrer à cola.
“O estudante que vai para a prova sem ter estudado é o que tenta se apoiar em um recurso como a cola, com a expectativa de conseguir um colega que lhe passe as respostas. O padrão de aluno que cola é aquele que não tem uma efetiva participação e que vai para a avaliação contando com a sorte”, diz Julio Inafuco.
Nesse sentido, incentivos a uma participação mais ativa dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem pode mudar a perspectiva em relação ao próprio desempenho.
“As escolas devem mostrar que o resultado obtido pelo aluno deve ser consequência do seu empenho. Ou seja, mesmo que o aluno não obtenha a nota máxima, se ele fez seu melhor, devemos reconhecer o esforço, estimular e incentivá-lo a evoluir”, explica Julio.
Solução
Inafuco aponta que um trabalho desenvolvido desde os primeiros anos de escolarização mostra resultados no comportamento dos estudantes. Para isso, professores devem ter uma atuação de orientação e formação do aluno, não apenas repressão ao comportamento inadequado.
“É possível corrigir esse comportamento, sobretudo com alunos que já entenderam qual é o papel da escola e se sentem incomodados de agir mal”, conta.
Com as colas fazendo parte da rotina das provas escolares, uma mudança pedagógica pode ser a saída, tanto para a falta de preparo que causa insegurança nos estudantes, quanto nas metodologias de ensino e avaliação que levam a colas.
“O ato de colar indica o fracasso da proposta pedagógica do professor”, aponta Denise Camargo, professora de Pedagogia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Tuiuti. “Evidencia que alunos não aprendem porque professores não estão repassando o conteúdo da forma que ele absorva: você não pode por 40 pessoas em uma sala de aula e esperar que todos aprendam igualmente”, completa.
Pressão
Pesquisa conduzida por psicólogos aponta ainda que estudantes colam mais em disciplinas que colocam maior ênfase em provas tradicionais e notas. Do mesmo modo, a ocorrência de colas é menor quando eles percebem que o professor enfatiza a importância do processo de aprendizagem e do domínio do conteúdo ensinado.
“A prova, na verdade, mostra apenas a memorização, mas não mostra se realmente o aluno sabe generalizar a aprendizagem dele, aplicar aquilo que aprendeu em outras situações. Cada aluno tem um processo de desenvolvimento. Ele tem que mostrar como está avançando dentro desse processo”, destaca Denise.
Segundo ela, as formas de avaliação devem ser repensadas para destacar todos os aspectos da aprendizagem, e não apenas a memorização.
“A prova, da forma que é colocada, é incorreta. Provas são geralmente construídas em cima de uma dimensão de aprendizagem que é a memória, mas não aprendemos só memorizando”, explica. “Precisamos começar a discutir outras formas de avaliações”, conclui.
Qual é a melhor forma de organizar as carteiras na sala de aula?
Veja quatro formatos possíveis de organização e quais interações são favorecidas em cada um deles
Por: Pedro Annunciato, Laís Semis
Ilustrações: Lucas Magalhães
Imagine uma situação em que você, educador, está na posição de quem aprende. Pode ser em um congresso, curso ou formação – até mesmo aquelas reuniões da secretaria. O que você prefere: passar todo o tempo sentado em intermináveis fileiras ou assumir uma postura mais participativa, com discussões em grupos ou círculos? “Os professores gostam de sair da ‘pedagogia da nuca’ – em que todos se vêem de costas – e interagir com os colegas. Mas quando você pergunta se fazem isso nas suas salas, pouquíssimos fazem”, comenta Célia Senna, formadora de professores da consultoria INovAÇÃO.
A discussão sobre qual seria a melhor maneira de organizar os alunos na sala de aula acompanha a evolução da Pedagogia nas últimas décadas. O modelo tradicional, de fileiras individuais justapostas em linhas paralelas, tem sido posto em xeque por limitar o ensino à aula expositiva e não favorecer a interação entre alunos e entre estes e os professores. “No Brasil, em redes nas quais as concepções construtivistas entraram com mais força, a transformação da organização mais convencional em grupos ou círculos tornou-se a regra”, conta Cláudia Dalcorso, sócia-fundadora da Elos Educacional.
Afinal, existe formato ideal? “Na verdade, isso depende da intencionalidade pedagógica, isto é, dos objetivos que o docente espera que os alunos alcancem”, explica Marília Novaes, formadora de gestores da Comunidade Educativa Cedac. Segundo ela, não se trata de adotar um e abandonar o outro para garantir melhor aprendizado. “A sala pode e deve mudar conforme a necessidade do momento”, defende.
O ponto central na escolha do formato deve contemplar o desenvolvimento de habilidades de colaboração e troca entre os colegas – o que nem sempre é fácil para quem está habituado à estrutura tradicional de sala de aula. Para compreender melhor as propostas e implicações de cada forma de organização, listamos as vantagens que oferecem no processo de ensino-aprendizagem.
Fileiras individuais ou U (meia-lua)
Os dois formatos permitem que o educador trabalhe aulas expositivas, apresentações em vídeo, filmes e situações em que é necessário o apoio da lousa. O esquema tradicional, porém, tem seus críticos. “Colocamos os alunos durante cinco horas olhando um para a nuca do outro e queremos que se sintam estimulados?”, questiona Célia Senna. Para a especialista, a meia-lua ou U sai na frente. “Quando o aluno vê a sala como um todo, consegue interagir mais com os colegas, o que é muito favorável para a aprendizagem”.
Esse formato proporciona contato visual entre todos os presentes e favorece o debate coletivo, além de manter a possibilidade de foco no professor e na lousa – que não precisa ser demonizada. Há momentos em que a lousa é a opção mais eficiente para apoiar uma explicação ou registrar as questões de uma discussão.
Já Cláudia Dalcorso acredita que há alguma utilidade nas fileiras, especialmente em ambientes espaciais mais limitados. “Em certos momentos, a aula tem um foco central, que pode ser uma exposição oral, um vídeo, o trecho de um filme, e a sala não possui espaço suficiente para acomodar todos os alunos e as mesas em formato de meia-lua”.
Outro ponto que pode pesar na escolha tem muito mais a ver com a postura do professor e como ele se conecta à sala de aula. “É preciso considerar que o professor, às vezes, se sente mais confortável ao explicar um conteúdo para a sala em fileiras. Não precisamos descartar o modelo a priori, nem nos amarrarmos a ele”, pondera Marília Novaes, da Cedac.
Duplas ou trios
Esse formato é recomendado para uma interação mais direta entre os alunos. “É uma composição muito utilizada em atividades de produção de texto e de alfabetização, em que se podem construir duplas produtivas”, explica Claudia. O professor pode, por exemplo, propor uma atividade de escrita juntando um aluno com escrita ortográfica (isto é, que já domina a norma padrão da língua e é capaz de construções mais complexas) e outro que ainda não alcançou o mesmo nível, mas é criativo e pode ajudar na elaboração da história. Também pode unir um aluno alfabético e outro silábico para que troquem conhecimentos, ou ainda estudantes com saberes diferentes de matemática para resolver um problema que exige vários procedimentos.
Célia Senna atenta, no entanto, que na composição ideal, os integrantes das duplas não se sentam um ao lado da outro, mas um de frente para o outro. O modelo favorece a interação e discussão entre os dois colegas. “Pode parecer só um detalhe, mas dirigir o olhar e a discussão dessa maneira são favorecidos”, diz.
Grupos (quatro ou mais alunos)
Os grupos formados por um número maior de alunos são indicados nos casos em que é preciso levantar hipóteses, investigar diferentes itens e pluralizar o olhar sobre o objeto de aprendizagem. Aumentam-se as informações e olhares sobre o processo – com a possibilidade de desenvolver outras habilidades e competências que não são possíveis no trabalho individual. “Trabalhar em grupo – independentemente de você ser chefe ou funcionário – é algo que encaramos ao longo de toda a vida”, diz Célia. “As dinâmicas de sala em que há trabalho em equipe favorecem esse desenvolvimento”.
Habilidades como negociação, argumentação, responsabilidade compartilhada, divisão e delegação de tarefas são desenvolvidas à medida que as crianças se veem diante dos desafios do trabalho em equipe. Quando a formação de grupos é pontual, ou seja, acontece algumas vezes, é mais difícil desenvolver tais habilidades do que quando se cria uma dinâmica de equipe. “O grupo começa a se autogerir”, explica a especialista. “Mas o professor deve observar essa dinâmica para intervir nos grupos em que um aluno, por exemplo, não está colaborando. Isso ajuda tanto esse indivíduo quanto o grupo a se desenvolver”.
Para a formadora, a dinâmica de organização da sala vai ganhando agilidade à medida que os estudantes vão se familiarizando com a proposta. Idem para comportamento. “Os problemas de comportamento não são maiores do que quando os alunos estão enfileirados”, defende Célia. De acordo com ela, a agitação é maior na formação ocasional de grupos, do que quando estão acostumados a trabalhar com esse formato. “A questão de ter o ‘controle’ da turma também não desenvolve a autonomia dos estudantes”.
E onde deve ficar a mesa do professor? No modelo tradicional, a mesa do professor geralmente está localizada à esquerda da lousa, para não atrapalhar a visibilidade. Saindo do modelo de fileiras, a mesa do professor pode ficar em qualquer lugar da sala, já que ele irá circular entre as equipes. Idem no semicírculo: a mesa fica fora da roda. Isso implica em maior mobilidade para o docente, que mantém os alunos em seu raio de visão, o que estimula o contato.
Para especialista, escolas brasileiras são de má qualidade ou falham em educar integralmente, ensinando o pensamento crítico
Por Marcos de Aguiar Villas-Bôas Da Carta Capital
Dora Incontri é jornalista pela Cásper Líbero, mestre, doutora e pós-doutora em Filosofia da Educação pela USP, sendo hoje uma das maiores autoridades do País na defesa de uma grande reforma da educação que considere o ser humano em sua integralidade, proposta baseada em autores como Comenius, Jean-Jacques Rousseau e Johann Heinrich Pestalozzi, objeto de suas pesquisas acadêmicas.
A sua proposta educacional, que vem procurando aplicar na Universidade Livre Pampédia, da qual é coordenadora geral, envolve, por exemplo, uma perspectiva interdisciplinar, o desenvolvimento da espiritualidade e a autonomia do ser
Você poderia falar um pouco sobre a Universidade Livre Pampédia e a influência de Comenius?
Dora Incontri: Comenius foi um educador e pensador visionário do século XVII, que pretendia uma educação universal, integral e plural. Tinha um projeto de paz mundial, foi o idealizador de um órgão internacional pela paz, portanto, um precursor da ONU, e queria também uma língua internacional. Zammenhof se inspirou nele para criar o Esperanto.
A Universidade Livre Pampédia se pretende um espaço alternativo de educação, em nível superior, cujo objetivo é favorecer vivências pedagógicas diferentes para adultos e ao mesmo tempo divulgar ideias de transformação pedagógica e social.
A integralidade e a interdisciplinaridade propostas por esse projeto de Universidade Livre é inspirada em Comenius; assim, também inclui a dimensão espiritual do ser humano. Ou ainda, inclui dar voz às diferentes correntes de pensamento – tradições espirituais diversas, vertentes filosóficas espiritualistas ou materialistas – num diálogo aberto e aprofundado.
As Universidades convencionais têm guetos ideológicos onde não se pode penetrar com ideias diferentes – o pesquisador é obrigado a direcionar suas produções dentro da camisa de força imposta pelo orientador, pelo departamento, pelo grupo a que o pesquisador pertence. Não há liberdade de pensamento e de produção. É tudo muito engessado e fechado. Por isso, a ideia de uma Universidade Livre.
Além disso, eu trabalho com formação de educadores há muitos anos e percebi que só a aprendizagem de teorias de uma educação diferente da tradicional não adianta. É preciso que as pessoas experimentem por si mesmas, como alunos-sujeitos, uma educação alternativa, para poderem praticar ideias novas.
Como descobriu Comenius, quem dá, inclusive, nome à sua editora?
Quando estava fazendo minha dissertação de mestrado na USP, sobre o educador suíço Pestalozzi, pesquisei na Alemanha e na Suíça e me lembro que um professor da Universidade de Nurembergue me disse: “se você quiser entender Pestalozzi, leia Comenius.”
Eu nunca tinha ouvido falar de Comenius. E conforme fui lendo suas obras, fui ficando encantada com sua atualidade, com sua profundidade. Hoje, quando se fala brevemente em Comenius nas faculdades de Pedagogia no Brasil, costuma-se apresentá-lo, de modo superficial, como pai da didática.
No entanto, suas ideias são muito mais amplas e não se trata de um conceito reducionista de didática; envolvem um conceito de ser humano integral e integrado, uma concepção de educação universal e permanente, que deve realizar o ser humano em suas dimensões cognitivas, morais, políticas, afetivas, sociais e espirituais.
Ele apresenta também uma ideia de pansofia – que poderíamos traduzir como sabedoria de tudo, entendendo que tudo está conectado no universo e, portanto, temos que procurar desvendá-lo, interligando nossos instrumentos de interpretação do mundo: a razão, a observação, a revelação… portanto, a filosofia, a ciência, a espiritualidade.
Diante da quantidade de informações existente hoje, seria realmente possível ensinar tudo a todos? Essa não seria uma bandeira mais bem aplicada quando Comenius viveu, período no qual a maior parte da população sequer era alfabetizada?
Ao contrário. Somente hoje, com a internet e a disponibilização aberta do conhecimento, é que se pode oferecer o acesso a esse "tudo" a que se referia Comenius. Quando ele propunha essa espécie de slogan, pensava na democratização do conhecimento e não que todos tivessem que saber tudo. Tinha muitas ideias interessantes a respeito, algumas das quais só são possíveis de realizar num mundo global, interconectado e virtual, como este em que vivemos.
Essas ideias estão no livro de sua autoria que, pela primeira vez publicamos no Brasil, em 2014, Pampédia. Uma obra-prima que, claro, têm seus contextos históricos, mas que também traz muitas propostas ainda atuais e necessárias. Temos um outro livro publicado pela Editora Comenius, de Luis Colombo, que trata dessa questão de como só o mundo virtual pode traduzir plenamente a ideia comeniana: Comenius, a Educação e o Ciberespaço.
Você entende que há uma linha de continuação em Comenius, Rousseau, Pestalozzi e Rivail? O que os une?
Eu defendi essa linha de descendência intelectual em minha tese de doutorado na USP – sobre Pedagogia Espírita – e ela não é de jeito nenhum arbitrária. É histórica, em primeiro lugar, porque Hippolyte Léon Denizard Rivail (depois Allan Kardec) estudou com Pestalozzi no castelo de Yverdon e foi mais tarde divulgador de sua pedagogia na França.
Pestalozzi, por sua vez, cita textualmente em suas obras sua dívida para com Comenius e Rousseau. Há várias ideias comuns que perpassam esses autores. Vou citar algumas: foram eles que firmaram, muito antes de Piaget, a concepção de que a criança é um ser em desenvolvimento e precisa ser observada e tratada como tal. Antes desses grandes educadores, as crianças eram consideradas adultos em miniatura.
Todos eles também encaravam a educação como instrumento de transformação social. Estavam preocupados com as injustiças sociais de suas respectivas épocas – como devemos estar também ainda hoje, porque, infelizmente, as injustiças continuam – e desejavam uma sociedade melhor.
Eles também enxergavam na educação um meio de viabilizar o projeto de um mundo mais igualitário e fraterno. Todos também propunham para isso uma educação diversa da tradicional, que vem sendo praticada até hoje, uma espécie de formatação do ser humano para a submissão e o trabalho no mercado.
Eles queriam uma educação em que a criança pudesse desenvolver suas potencialidades de maneira autônoma, integral, com liberdade e afeto. Comenius trata mais da integralidade. Pestalozzi e Rivail o seguem. Rousseau trabalha muito a ideia de liberdade e Pestalozzi foi o grande introdutor do afeto na educação. Ele próprio, amorosíssimo, fez do amor pedagógico um dos pilares de suas práticas.
Considerando que o foco na experiência, e no desenvolvimento das faculdades naturais por meio dela, era um dos pilares da educação daqueles autores; a educação dogmática, teórica e abstrata do Brasil seria bastante contrária à proposta deles e um dos seus principais problemas?
Difícil dizer quais os principais problemas da educação no Brasil. Mas, pincemos alguns, que saltam à vista. Primeiro, desde a chegada dos portugueses aqui, sofremos de duas doenças crônicas:
1) não somos uma sociedade que valoriza a educação, por isso, não há investimentos, vontade, muita gente engajada em trabalhar por uma educação melhor…
2) temos duas educações: uma para a elite e outra para o povo, que permanece sem acesso a uma escola minimamente de qualidade. Esforços aqui e acolá, idealistas e militantes aqui e ali, mas, no grosso, temos uma elite educada em escolas razoáveis – apesar de que não formam integralmente, nem eticamente, nem com autonomia e pensamento crítico – e temos uma escola pública de má qualidade, porque não interessa aos poderes instituídos que a população aprenda a pensar.
Durante alguns períodos da história, houve uma escola pública melhor, quando a classe média a frequentava, mas estamos vivendo um momento sombrio em que o que restava de uma proposta de escola pública um pouco razoável está sendo desmontado por esse (des)governo, que chegou para deixar um marco escuro na história do Brasil.
Isso, quanto aos aspectos políticos e sociais da educação brasileira, quanto aos métodos de ensino, quanto à maneira como é feita a escola, sejam as públicas, sejam as particulares, a quase totalidade delas está dentro do modelo tradicional, com lousas, carteiras enfileiradas, provas, notas, aulas desinteressantes e descontextualizadas de 50 minutos – escolas em geral feias, sem verde, sem liberdade de escolha, chatas e completamente fora do século XXI. Para, de fato, mudar o Brasil pela educação, temos que torná-la nossa prioridade, familiar, pessoal, coletiva, social, política e temos que reinventar a escola. E a escola tem que ser centrada no ser humano, no seu desenvolvimento, e não no conteúdo, no vestibular, no mercado…
Para especialistas, professores devem adotar a pesquisa como princípio pedagógico
O papel da pesquisa na formação dos professores foi discutido na sexta-feira, na Reunião Regional do Cariri, em Crato, CE. Os debatedores defenderam a valorização e, também, maior participação dos professores nos processos de definição de políticas educacionais. (Foto: Chico Gomes/SECITECE)
O debate sobre a formação de professores e avaliação do ensino superior, realizado na sexta-feira, 5 de maio, durante a programação da Reunião Regional da SBPC no Cariri, foi um dos mais disputados pelo público – mais de 250 pessoas participaram da discussão. O interesse tem um bom motivo: com 17 cursos de licenciatura, a Universidade Regional do Cariri (URCA), no Ceará, é uma referência para a educação da região. Debateram o assunto Marcelo Câmara dos Santos, diretor de Formação de Professores da Educação Básica da Capes, Luiz Roberto Liza Curi, presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), e José Fernandes de Lima, professor da Universidade Federal do Sergipe, e ex-presidente do CNE.
“A maioria dessa plateia está ligada aos cursos de formação de professores, de licenciatura”, ressaltou Lima. De acordo com ele, a questão da formação dos professores é um assunto recente, mas é um ponto crucial na cadeia de produção de conhecimento. “Sem investimento na formação, sem valorização dos professores, não vamos chegar a lugar nenhum”, afirmou.
Santos defendeu a utilização do método de pesquisa como instrumento de aprendizagem, para a produção do que ele chama “conhecimento descontextualizado”. “O objetivo é que o sujeito saia da escola com o conhecimento descontextualizado, capaz de mobilizar o conhecimento adquirido na escola para poder resolver os problemas diversos que surgem em seu dia-a-dia”, disse.
Concordando com Santos, Lima defende a adoção da pesquisa como princípio pedagógico e acrescentou que o professor pesquisador é capaz de criar métodos na interação com os alunos. A formação continuada, nesse sentido, segundo ressaltou, é fundamental, uma vez que o professor, continuadamente, e cada vez mais, se depara com novas tecnologias e novas realidades, que precisam ser incorporadas a suas atividades. “É preciso aprender como se faz ciência. As pessoas confundem muito o processo científico com o produto”, observou.
Curi, por sua vez, também defendeu a necessidade de se diversificar a prática do ensino, e, especialmente, os currículos nas diferentes instituições. O presidente do CNE discorreu sobre o papel da avaliação na expansão do ensino superior pelo País e sua importância na definição de políticas públicas. Segundo ele, é fundamental que exista um diálogo amplo entre quem faz as políticas públicas e os atores na ponta dessas políticas – professores, gestores de universidades. Esse diálogo contribuiria para avaliar de que maneira os currículos definidos contribuem para a permanência dos estudantes nos cursos – hoje, segundo demonstrou, dos 8 milhões de estudantes que se matriculam no ensino superior no País, apenas 1, 2 milhões concluem os cursos.
“Não há participação ativa dos atores na construção desses currículos. Os currículos são feitos por diretrizes, mas são todos iguais. E, daí, ninguém reconhece uma universidade por seu currículo”, observou, criticando que os currículos não são avaliados: “As avaliações são baseadas em fatores quantitativos, não se avalia a construção do conhecimento, nem mesmo a qualidade dos egressos”, afirmou Curi.
A exclusão digital (oposto de inclusão digital) é um conceito que trata da desigualdade econômica e social no que diz respeito ao acesso, ao uso ou ao impacto da informação e das tecnologias de comunicação.
Também chamado de brecha ou de fissura digital, o conceito analisa o abismo que separa as camadas das sociedades que ficaram à margem da chamada sociedade da informação e da expansão das redes digitais.
Em entrevista, Manuel Castells discute o tema com base em suas pesquisas. O autor de A era da informaçãoafirma que, graças aos smart phones, a brecha digital estaria quase superada: "Ela é principalmente uma brecha de idade. Quando a minha geração desaparecer, o acesso será universal."
Porém, enfatiza o sociólogo, no Brasil, a questão não é apenas o acesso, mas sim a educação para utilizar as ferramentas: "um país sem educação utiliza a internet para fazer 'estupidez'. Isso a internet não pode resolver, isso só pode ser resolvido pelo sistema educacional." Confira abaixo a entrevista:
Dados do IBGE divulgados em 2013 apontam que mais da metade dos brasileiros ainda não tem acesso a internet em seus domicílios. Como isso influencia na inclusão social e na participação da construção de políticas públicas? Manuel Castells: A imensa maioria dos brasileiros tem acesso à internet. O que eles não têm é internet instalada em sua casa, mas têm internet na escola, nos cibercafés, em seus smartphones. A maioria dos brasileiros com menos de 30 anos tem um smartphone, mesmo que sejam pobres, porque para eles é mais importante ter esse aparelho do que ter muitas outras coisas.
Existe um dado confiável em nível global que é: 50% da população adulta do mundo tem um smartphone atualmente. A projeção para 2020 é de que a porcentagem seja de 80% da população adulta do mundo. Portanto, a difusão de smartphone no Brasil é também, no mínimo, de 50% da população adulta. E o smartphone por definição tem acesso à internet, porque senão não é “smart".
As estatísticas tradicionais de uso de internet são absolutamente antiquadas porque contam a internet nas casas das pessoas e hoje não é assim. A maior parte das pessoas não usa a internet em casa, mas sim no smartphone, no trabalho, na rua. Então, a chamada brecha digital está praticamente superada. Ela é principalmente uma brecha de idade. Quando a minha geração desaparecer, o acesso será universal.
O problema é a capacidade de atuar através da internet, que depende, principalmente, do nível educativo e cultural das pessoas. É nisso que está o problema do Brasil: o sistema educativo.
Um país educado com internet progride. Um país sem educação utiliza a internet para fazer “estupidez". Isso a internet não pode resolver, isso só pode ser resolvido pelo sistema educacional.
Levando em conta as transformações sofridas pelo jornalismo nos últimos anos, como pode evoluir a construção das notícias de maneira colaborativa, com a participação efetiva dos usuários? Manuel Castells: As notícias já não são formadas pelas agências de notícias ou os jornalistas profissionais individuais, são um conjunto de pessoas: são os jornalistas profissionais, são as agências de notícias, são os cidadãos jornalistas que enviam informações.
Os jornais em papel, esses, sim, estão totalmente obsoletos. Não o jornalismo, não o jornalismo online, não a capacidade constante de gerar notícias, mas para que você vai esperar a manhã do dia seguinte para ler uma notícia quando você pode ler na internet em tempo real?
Eu sinto muito porque gosto muito de ler o jornal de manhã, com um cafezinho. Isso é um pequeno luxo, que será cada vez menos possível porque os preços subirão muito, já que só uma determinada classe pode ter esse prazer. Mas não é um prazer informativo, é um prazer sensorial, de tocar o papel do jornal. E para os jovens, isso não interessa.
Os jovens, ao contrário do que se pensa, leem muito mais notícias que os outros, porque leem vários jornais e fazem seu próprio jornal eletrônico, que muda constantemente. Há um mundo obsoleto, que é o dos jornais impressos, que está desaparecendo e que se conservará apenas em níveis de publicações de prestígio, por razões de prestígio político e empresarial-informativo.
No caso da televisão, mesmo que haja muitos canais, eles não se comparam com a diversidade de informação e de entretenimento que se pode encontrar na internet. Os jovens assistem a televisão? Sem dúvidas, veem muito mais televisão que antes, mas por internet.
Outra coisa muito grave: a maioria das faculdades de comunicação e jornalismo continuam ensinando como na Idade Média, sem ter entrado no mundo digital. Então os pobres jornalistas profissionais têm que aprender por eles próprios sem que haja mestres possíveis porque os senhores catedráticos de sempre continuam pensando que a teoria da comunicação precisa ser baseada na retórica, na análise linguística, e não na transformação da comunicação.
Mudanças profundas ocorreram em escala mundial nas últimas décadas do século 20, entre elas o avanço da tecnologia de informação, a globalização econômica e o fim da polarização ideológica nas relações internacionais.
Diante desse cenário, o sociólogo francês Edgar Morin, hoje com 95 anos, defende que a maior urgência no campo das ideias não é rever doutrinas e métodos, mas elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento. No lugar da especialização, da simplificação e da fragmentação de saberes, Morin propõe um dos conceitos que o tornaram um dos maiores intelectuais do nosso tempo: o da complexidade.
Em entrevista, o pensador critica o modelo ocidental de ensino que, segundo ele, separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. Para Morin, as disciplinas fechadas ensinam o aluno a ser um indivíduo adaptado à sociedade, mas impedem a compreensão dos problemas do mundo e de si mesmo. Confira abaixo:
Na sua opinião, como seria o modelo ideal de educação? Edgar Morin: A figura do professor é determinante para a consolidação de um modelo “ideal” de educação. Através da Internet, os alunos podem ter acesso a todo o tipo de conhecimento sem a presença de um professor.
Então eu pergunto, o que faz necessária a presença de um professor? Ele deve ser o regente da orquestra, observar o fluxo desses conhecimentos e elucidar as dúvidas dos alunos. Por exemplo, quando um professor passa uma lição a um aluno, que vai buscar uma resposta na Internet, ele deve posteriormente corrigir os erros cometidos, criticar o conteúdo pesquisado.
É preciso desenvolver o senso crítico dos alunos. O papel do professor precisa passar por uma transformação, já que a criança não aprende apenas com os amigos, a família, a escola. Outro ponto importante: é necessário criar meios de transmissão do conhecimento a serviço da curiosidade dos alunos. O modelo de educação, sobretudo, não pode ignorar a curiosidade das crianças.
Quais são os maiores problemas do modelo de ensino atual? Edgar Morin: O modelo de ensino que foi instituído nos países ocidentais é aquele que separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. E não é o que vemos na natureza. No caso de animais e vegetais, vamos notar que todos os conhecimentos são interligados. E a escola não ensina o que é o conhecimento, ele é apenas transmitido pelos educadores, o que é um reducionismo.
O conhecimento complexo evita o erro, que é cometido, por exemplo, quando um aluno escolhe mal a sua carreira. Por isso eu digo que a educação precisa fornecer subsídios ao ser humano, que precisa lutar contra o erro e a ilusão.
O senhor pode explicar melhor esse conceito de conhecimento? Edgar Morin: Vamos pensar em um conhecimento mais simples, a nossa percepção visual. Eu vejo as pessoas que estão comigo, essa visão é uma percepção da realidade, que é uma tradução de todos os estímulos que chegam à nossa retina. Por que essa visão é uma fotografia? As pessoas que estão longe são pequenas, e vice-versa. E essa visão é reconstruída de forma a reconhecermos essa alteração da realidade, já que todas as pessoas apresentam um tamanho similar.
Todo conhecimento é uma tradução, que é seguido de uma reconstrução, e ambos os processos oferecem o risco do erro. Existe outro ponto vital que não é abordado pelo ensino: a compreensão humana.
O grande problema da humanidade é que todos nós somos idênticos e diferentes, e precisamos lidar com essas duas ideias que não são compatíveis.
A crise no ensino surge por conta da ausência dessas matérias que são importantes ao viver. Ensinamos apenas o aluno a ser um indivíduo adaptado à sociedade, mas ele também precisa se adaptar aos fatos e a si mesmo.
O que é a transdisciplinaridade, que defende a unidade do conhecimento? Edgar Morin: As disciplinas fechadas impedem a compreensão dos problemas do mundo. A transdisciplinaridade, na minha opinião, é o que possibilita, através das disciplinas, a transmissão de uma visão de mundo mais complexa.
O meu livro O homem e a morte é tipicamente transdisciplinar, pois busco entender as diferentes reações humanas diante da morte através dos conhecimentos da pré-história, da psicologia, da religião. Eu precisei fazer uma viagem por todas as doenças sociais e humanas, e recorri aos saberes de áreas do conhecimento, como psicanálise e biologia.
Como a associação entre a razão e a afetividade pode ser aplicada no sistema educacional? Edgar Morin: É preciso estabelecer um jogo dialético entre razão e emoção. Descobriu-se que a razão pura não existe. Um matemático precisa ter paixão pela matemática. Não podemos abandonar a razão, o sentimento deve ser submetido a um controle racional. O economista, muitas vezes, só trabalha através do cálculo, que é um complemento cego ao sentimento humano. Ao não levar em consideração as emoções dos seres humanos, um economista opera apenas cálculos cegos. Essa postura explica em boa parte a crise econômica que a Europa está vivendo atualmente.
A literatura e as artes deveriam ocupar mais espaço no currículo das escolas? Por quê? Edgar Morin: Para se conhecer o ser humano, é preciso estudar áreas do conhecimento como as ciências sociais, a biologia, a psicologia. Mas a literatura e as artes também são um meio de conhecimento.
Os romances retratam o indivíduo na sociedade, seja por meio de Balzac ou Dostoiévski, e transmitem conhecimentos sobre sentimentos, paixões e contradições humanas. A poesia é também importante, nos ajuda a reconhecer e a viver a qualidade poética da vida. As grandes obras de arte, como a música de Beethoven, desenvolvem em nós um sentimento vital, que é a emoção estética, que nos possibilita reconhecer a beleza, a bondade e a harmonia. Literatura e artes não podem ser tratadas no currículo escolar como conhecimento secundário.
Qual a sua opinião sobre o sistema brasileiro de ensino? Edgar Morin: O Brasil é um país extremamente aberto a minhas ideias pedagógicas. Mas, a revolução do seu sistema educacional vai passar pela reforma na formação dos seus educadores. É preciso educar os educadores. Os professores precisam sair de suas disciplinas para dialogar com outros campos de conhecimento. E essa evolução ainda não aconteceu. O professor possui uma missão social, e tanto a opinião pública como o cidadão precisam ter a consciência dessa missão.
Modelo “professor fala e alunos escutam” é questionado por especialistas em educação. Educação de qualidade, dizem, foca no aprendizado individual
Imagine uma sala de aula. Se vier à mente um espaço em que um professor explica o conteúdo e 30 alunos sentados ouvem sem se mexer, pense de novo. Esse modelo de escola “industrial”, em que uma aula expositiva serve para todos, está com os dias contados. Embora ainda haja resistências tanto de professores, que querem continuar passando da mesma forma um conteúdo para a turma toda, como de pais e alunos, especialistas em educação afirmam que ao pensar em aprendizado, não se pode deixar de considerar as características individuais dos estudantes e a forma como cada um retém o conhecimento.
Essa educação com foco no ‘um a um’ é conhecida por vários nomes, como ensino “caracterizado” ou “personalizado”. O ganho principal da prática é o de levar em conta as etapas de desenvolvimento de cada estudante e, assim, alcançar um melhor desempenho.
“Com a vida mais urbana, a escola seguiu a padronização, funcionando como uma linha de produção. Mas essa escola onde soa uma sirene e todos fazem o mesmo já se mostrou ineficiente há um bom tempo. É impossível que 30, 40 alunos aprendam ao mesmo tempo quando alguém ensina de um jeito só”, explica o psicopedagogo Júlio Furtado, mestre em Educação e doutor em Ciências da Educação. “Nesse cenário, o ensino caracterizado se mostra uma saída interessante para o modelo de escola que se quer ter”.
Historicamente, o professor se viu como detentor do conhecimento, como alguém que tem o saber em sua cabeça e tem de transmitir para a dos alunos, que está vazia. Com a evolução da educação, quem pensa assim pode cair em uma depressão intelectual achando que será rebaixado para um simples orientador, explica Furtado. “Ainda formamos professores no padrão de 50 anos atrás, licenciaturas formam docentes especialistas em conteúdo, não em aprendizado. O professor que entendeu que seu papel é fazer o outro aprender faz aulas coletivas mais raramente, senta mais em pequenos grupos e diz, inclusive, que com isso passou a economizar a voz”, afirma.
Caminho
A primeira tarefa de um professor é buscar conhecer profundamente os alunos de sua turma, saber como agem, onde têm mais facilidade na aprendizagem, se retêm informações melhor ouvindo, visualmente ou interagindo em grupos ou sozinhos. Diante disso, é preciso ir além da aula expositiva, criar métodos ativos que foquem no aluno, de acordo com Josemary Morastoni, coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Positivo. Nesse sentido, o professor precisa estar em constante mudança, buscando novas formas de dar aula e jeitos diferentes de trabalhar com cada aluno. “Nas diretrizes curriculares, nós trabalhamos com a questão do pensar diferente, para que o professor saia do ‘quadradinho’. Diferentemente do ensino tradicional, focar nas possibilidades e não nas dificuldades facilita a aprendizagem do aluno.”
Imagine uma sala de aula. Se vier à mente um espaço em que um professor explica o conteúdo e 30 alunos sentados ouvem sem se mexer, pense de novo. Esse modelo de escola “industrial”, em que uma aula expositiva serve para todos, está com os dias contados. Embora ainda haja resistências tanto de professores, que querem continuar passando da mesma forma um conteúdo para a turma toda, como de pais e alunos, especialistas em educação afirmam que ao pensar em aprendizado, não se pode deixar de considerar as características individuais dos estudantes e a forma como cada um retém o conhecimento.
Essa educação com foco no ‘um a um’ é conhecida por vários nomes, como ensino “caracterizado” ou “personalizado”. O ganho principal da prática é o de levar em conta as etapas de desenvolvimento de cada estudante e, assim, alcançar um melhor desempenho.
“Com a vida mais urbana, a escola seguiu a padronização, funcionando como uma linha de produção. Mas essa escola onde soa uma sirene e todos fazem o mesmo já se mostrou ineficiente há um bom tempo. É impossível que 30, 40 alunos aprendam ao mesmo tempo quando alguém ensina de um jeito só”, explica o psicopedagogo Júlio Furtado, mestre em Educação e doutor em Ciências da Educação. “Nesse cenário, o ensino caracterizado se mostra uma saída interessante para o modelo de escola que se quer ter”.
O principal desafio desse modelo é mudar a mentalidade do educador. “Há tempos o professor tem a postura de preparar uma aula e, se os alunos não aprendem o conteúdo, surge uma série de justificativas para culpá-los”, afirma Isabel Parolin, psicopedagoga consultora educacional pela Educação Presente. “O maior obstáculo é alterar o conceito do que seja ensinar e aprender. O professor precisa entender que a boa aula não é aquela em que ele apresenta o conceito, passa atividades e cobrar na prova. A boa aula favorece que aluno pense sobre conteúdo e se aproprie do conhecimento”, diz.
Historicamente, o professor se viu como detentor do conhecimento, como alguém que tem o saber em sua cabeça e tem de transmitir para a dos alunos, que está vazia. Com a evolução da educação, quem pensa assim pode cair em uma depressão intelectual achando que será rebaixado para um simples orientador, explica Furtado. “Ainda formamos professores no padrão de 50 anos atrás, licenciaturas formam docentes especialistas em conteúdo, não em aprendizado. O professor que entendeu que seu papel é fazer o outro aprender faz aulas coletivas mais raramente, senta mais em pequenos grupos e diz, inclusive, que com isso passou a economizar a voz”, afirma.